Entrevista

Published on outubro 3rd, 2013 | by Bia_Kawaii

Entrevista com Caio Corraini do Arena iG

Gamers boa tarde,

Hoje trazemos mais uma entrevista para lá de importante aqui no ReportGamer, trata-se de Caio Corraini que é jornalista de games e apresentador do Games on the Rocks no site Arena iG.

Então Corraini para abrirmos este nosso bate papo até como meio de introdução antes das perguntas, nos fale um pouco da sua carreira como jornalista no segmento de games.

“Eu trabalho com o jornalismo de games há mais de 5 anos. Antes de ser contratado pelo iG, trabalhei para a Editora Escala e para a Editora Europa, em publicações sobre o entretenimento eletrônico.

No Arena, estou há quase 3 anos e meio. Já o Games on the Rocks completou 3 anos no mês passado, dia 21 de setembro.”

Agora passado este trecho inicial, vamos efetivamente as perguntas e respostas abordando nosso mercado nacional de games em geral.

1 – ReportGamer: Caio recebemos muitos e-mails e comentários de jovens que querem ser ”jornalistas de games” mas antes de tudo explicamos que para ser jornalista de games anteriormente você tem que ser jornalista e ponto, queria que desse seu ponto de vista sobre o assunto?

Caio Corraini: Concordo no ponto de que um comunicador precisa, necessariamente, estar apto a trabalhar em qualquer editoria. Não importa se o seu interesse primordial é exclusivo em um único nicho. Se o seu sonho é ser jornalista de um grande portal, um canal de TV, um jornal diário… é bem difícil que você entre na empresa já fazendo o que sempre sonhou. Precisa ter paciência e escalar até lá.

Eu mesmo, em meus estágios durante a faculdade, escrevi e estudei sobre muitas coisas que detestava. Mas foram estas experiências que me ajudaram a desenvolver melhor o meu lado profissional e também a valorizar quando finalmente cheguei a trabalhar com o que realmente almejava.

Todavia, temos também o outro lado, de várias pessoas que não são formadas, criam seus próprios blogs, canais de vídeo, podcasts e conseguem tratar do assunto que amam de uma maneira muito mais próxima do que acreditam que seja ideal. Temos diversos casos de sucesso de pessoas que batalharam e graças ao seu bom conteúdo, hoje vivem disso, falando sobre videogames. São comunicadores tanto quanto nós, jornalistas da área.

Acredito que a profissão “jornalista de games” aparenta ser apetitosa para muitos, pois é vendida como “vou falar sobre o que eu mais gosto e ainda receber dinheiro por isso”. Acho que muitos esquecem que, como qualquer outro emprego, tratar da informação é um trabalho, com suas próprias dificuldades, desventuras e dores de cabeça.

Mas hey, ainda é um tesão e não me imagino fazendo outra coisa hoje em dia.

2 – RG: Você trabalha no Arena iG, um dos melhores e maiores sites de games do Brasil, como é o dia a dia da redação, as matérias, reviews e tudo que envolve este trabalho em geral?

CC: Nosso dia a dia é bem mais “normal” do que as pessoas imaginam. Temos uma rotina de redação de portal, em que buscamos quais as notícias mais importantes do dia, entramos em contato com assessorias para confirmar informações, lotamos nossas caixas de e-mail com releases das desenvolvedoras com novidades sobre seus jogos, enviamos entrevistas a estúdios internacionais… Nada muito fora do comum para quem conhece a prática do jornalismo de redação.

Temos também diversas reuniões de pauta para decidirmos sobre quais jogos faremos especiais, quem ficará responsável desta ou daquela análise, quais games valem a pena gravar um vídeo, qual será a pauta do podcast, coisas assim.

Também há o acompanhamento da audiência, onde estudamos quais assuntos foram bem sucedidos no site naquele dia para aí quem sabe alongar a pauta com alguma outra retranca e por aí vai.

3 – RG: Como o Arena esteve presente na E3 deste ano e você foi um dos que lá esteve, como a imprensa brasileira é vista pela imprensa internacional segmentada?

CC: O mundo adora o Brasil. Esta é a impressão que sempre tenho após as coberturas internacionais. Quando você se apresenta e diz ser do Brasil, as pessoas automaticamente sorriem e fazem alguma referência a futebol, carnaval ou mulheres bonitas. São pilares de não muito “orgulho” quando paramos para pensar sobre o assunto, mas ainda assim é muito melhor do que acabar se apresentando e não receber reação alguma.

Tenho até uma história que serve como exemplo disso:

Em 2011, quando fui para Los Angeles cobrir a E3, na fila de credenciamento de imprensa, entreguei meu RG para o responsável por conferir se o nome constava no banco de dados da organização e ele perguntou de onde era aquele documento tão diferente. Respondi que era do Brasil e ele já começou a falar sobre como gostava de ver o Ronaldo jogar e que queria vir ao Rio de Janeiro passar férias.Instantes depois, atendendo um jornalista do Paraguai ele fez a mesma pergunta. Ao receber sua resposta, só murmurou um “ah, ok…” e continuou dando continuidade ao procedimento.

Entretanto, quando o assunto são videogames, uma boa parte dos estrangeiros não tem ideia da nossa situação. Não sabem que os consoles daqui são os mais caros do planeta, não sabem da pirataria, não compreendem porque um país tão grande tem um mercado ainda tão pequeno. O que é um tanto triste.

4 – RG: Fizemos um podcast recentemente com amigos sobre se ainda valia a pena investir na atual geração ou não, no caso de adquirir um novo console e chegamos a conclusão que sim. Em sua opinião ainda vale este investimento?

CC: Com certeza. Se a pessoa em questão não teve acesso a nenhum console desta geração e resolveu voltar agora aos games, ele terá aí vários anos de entretenimento e ótimos jogos. Tudo por um preço um pouco mais camarada do que o que era praticado há alguns anos.

Só deixo o conselho de tentar respeitar a “cronologia” dos lançamentos dos jogos, já que a evolução entre eles pode acabar estragando a experiência. É complicado jogar um título do início da geração após colocar as mãos em grandes obras que saíram nos últimos tempos. A comparação é visível e pode se tornar impeditiva.

5 – RG: Com a chegada do fim da atual geração em sua opinião houve um vitorioso?

R.: Eu geralmente não gosto de definir “vencedores” ou “perdedores” quando falamos de consoles. Afinal, venceu quem? Quem vendeu mais? Se for este o critério, venceu a Nintendo que atingiu a marca de mais de cem milhões de consoles comercializados.

Acho desnecessário este tipo de discussão, porque na minha opinião, tanto importa qual caixa preta você coloca ao lado da TV. O que importa são os jogos, as horas de diversão, as mensagens, as emoções, o poder artístico, o entretenimento que transborda dos discos e arquivos inseridos naquela caixa preta.

Deixemos a decisão de “vencedores” e “perdedores” para os acionistas, já que é o bolso deles que enche ou não com este resultado.

6 – RG: Agora sobre a “Next Gen” e a disputa entre Microsoft, Sony e a Nintendo que corre mais por fora, qual sua expectativa para os novos consoles?

CC: Nova geração é sempre um momento emocionante pra mim. Sou aquele cara que adora toda e qualquer novidade, que se excita – não no sentido sexual da palavra – com os novos anúncios e cria expectativa para finalmente conseguir colocar as mãos em tantos mundos novos.

A chegada de novos consoles traz consigo a possibilidade das grandes desenvolvedoras arriscarem mais, não apostarem tanto nos times que já estão ganhando a tanto tempo.

Estou, literalmente, contando os dias para quando irei adquirir meu novo console. Mesmo tendo um PC mais potente do que ambos os aparelhos que serão lançados neste fim de ano, é apenas com a chegada deles que as coisas vão “realmente” para frente.

7 – RG: Acho o PC uma plataforma fantástica e que ficou muito forte com a grande popularização do Steam, você acredita que algum dia os PC’s possam “matar” os consoles de vez?

CC: Acho improvável. Por mais que a Valve esteja estendendo ainda mais o seu alcance agora com a possibilidade de atingir também a sala das pessoas com suas Steam Machines e o SteamOS, o mercado de consoles ainda é gigantesco. O trabalho de “catequização” ante a marca com os jogadores tão acostumados com seus consoles será árduo e longo.

Todavia, vemos dia após dia que a Valve é uma das empresas que mais compreende seu público e seu meio, tanto pelas implementações que fazem constantemente com o Steam, quanto pela qualidade dos jogos que desenvolve. Então, posso afirmar que após garantir o monopólio nos PCs, ela irá disputar de igual para igual com Sony, Microsoft e Nintendo por um lugar ao lado das TVs na sala dos consumidores.

8 – RG: O Arena possui um podcast muito bom, o Games on the Rocks, como é a rotina para escolha de temas, a edição e seleção de participantes?

CC: O Games on the Rocks é uma das partes do Arena onde a anarquia impera.

Nunca combinamos pauta e, na maior parte das vezes, chegamos na redação segunda de manhã sem tema definido e nos viramos para escolher algo na hora.

Mas estamos trabalhando agora para planejar melhor nossa agenda, combinar com antecedência com os convidados e também nos permitir organizar um tanto mais as próximas semanas de conteúdo, o que nos oferece um tempo para estudar e nos prepararmos melhor para o tema a ser discutido.

Em pautas especiais, geralmente pensamos em um convidado que possa somar um ponto de vista mais detalhado ou diferente ao assunto, mas geralmente chamamos pessoas que já conhecemos, apenas por ser mais prático. Como gravamos todos no estúdio do iG, há a barreira de não conseguirmos convidar pessoas de outros estados/cidades.

A edição geralmente me toma dois dias da semana. Um para editar o que chamo de “bruto” – onde trato o áudio, retiro barulhos, corto e reorganizo partes do papo para deixar o assunto do podcast mais fluído etc – e outro para a edição da trilha sonora, renderização do arquivo, o envio para o servidor e a preparação do post.

9 – RG: Recentemente vocês lançaram o “shots”, uma atração em vídeo tanto no player do iG pelo Arena, quanto pelo canal no YouTube. Como está sendo a relação e aceitação do público com esta nova atração no site?

CC: Eu acredito que demoramos demais para começar a fazer vídeos no estilo “Quick Look”. Videogame é uma mídia visual, as pessoas definem se estão interessadas ou não em um primeiro momento ao simplesmente olhar para o jogo.

O podcast é o lugar em que discutimos de maneira mais aprofundada tanto sobre os games, como também a indústria e demais temas emergentes desta mídia, mas o vídeo é uma área muito mais confortável para que você explique como um título funciona e destaque os pontos positivos e negativos da experiência. Afinal, está tudo ali, a pessoa está acompanhando a sua linha de raciocínio enquanto assiste.

Sobre a recepção, as pessoas não poderiam ter aceitado melhor os Shots. Sempre nos torram o saco por mais e mais vídeos e estamos tentando atender a demanda. Nossa audiência vem principalmente do site, mas disponibilizamos também os vídeos no YouTube por saber que a plataforma é mais prática para uma parcela considerável dos nossos expectadores.

E devo dizer que os Shots são muito tranquilos para serem gravados e absurdamente divertidos. Então é uma “win/win situation”.

10 – RG: O Boteco on the Rocks é onde vocês reúnem a galera para se divertir e falar de games e assuntos em geral, como é seu contato com o público, seja por mídias sociais, e-mail ou no próprio boteco?

CC: Devo dizer que me sinto absurdamente orgulhoso com o público que atraímos com o trabalho que realizamos no Arena. Em um nicho tão plural quanto este dos videogames, acabamos retendo diversas pessoas que são apaixonadas pela mídia, mas não descerebrados a ponto de não aceitarem nossas críticas ou interessados apenas no entretenimento ralo.

Me relaciono muito bem com todos que dizem curtir o nosso trabalho e acabam se aproximando nas redes sociais por conta disso. Sou bem ativo no twitter, talvez seja por isso que os companheiros de site acabem brincando que sou o responsável pela parte de “Relações Públicas” do Arena.

Recebo no mínimo uns 2 e-mails por semana de jovens interessados em trabalhar com os videogames e sempre tento responder da melhor maneira possível, passando a realidade do nosso meio e também incentivando que não desistam de seus sonhos. É uma responsabilidade que não me sinto lá tão confortável em carregar nas costas já que, como muitos dos que entram em contato, também sou um garoto que tem como intuito aprender todos os dias como desempenhar meu trabalho de uma maneira melhor. Mas também fico honrado ao ser posto como um objetivo a ser alcançado por muitas destas pessoas. Sinto que algo de bom devo estar fazendo na profissão que escolhi.

E o Boteco é basicamente a nossa comemoração de um trabalho bem desempenhado. É a maneira que arranjamos para agradecer todo o carinho e dedicação deste nosso público. Onde nos permitimos festejar com todas estas pessoas que gostam do nosso trabalho e que nos permite estar onde estamos.

11 – RG: A BGS 2013 será realizada agora no mês de outubro, o que espera da feira este ano e qual sua visão do mercado nacional de games?

CC: A Brasil Game Show será colocada à prova em 2013. É neste ano que veremos se o evento está pronto para evoluir e se consolidar como o mais importante da América Latina ou se continuará desorganizada como nos anos anteriores, fazendo com que mídia e público clamem por uma nova alternativa.

Não entendam mal, eu gosto da BGS. Acho incrível como o público brasileiro é carente e apaixonado pelos videogames, lotando o lugar, fazendo filas absurdamente longas, esperando horas e horas apenas pelo prazer de jogar alguma coisa que ainda não foi lançada.

Este ano então teremos os consoles da próxima geração, o que vai fazer com que o evento seja ainda mais procurado e cheio. E é exatamente pra isto que a organização precisa trabalhar melhor.

O ingresso para a BGS é caro. Com o que recebem, eles podem e devem oferecer o melhor evento possível para todos os presentes. E é exatamente isto o que espero.

12 – RG: Deixe recado para galera gamer que gosta do seu trabalho no Arena, podcast e shots!

R.: Eu gostaria apenas de agradecer. Agradecer a confiança, o companheirismo, o auxílio e o apoio que todos oferecem para mim e para o Arena.

Tentamos todos os dias desempenhar o nosso melhor, seja no papel de informar, debater, discordar, provocar ou entreter. Tentamos elevar o discurso no que diz respeito aos jogos e fico muito feliz de que o nosso público evolui cada vez mais ao nosso lado.

Leandro e Bianca, muito obrigado pelo espaço e desejo toda a sorte do mundo com o blog. É um trabalho árduo, mas que vale a pena.

Bom aqui finalizamos nosso entrevista com o Corraini debatendo todos os tipos de temas relativo ao mercado de games, caso você queira estender seu contato com ele siga-o no twitter no @caiocorraini e não esqueçam de acessar o Arena que além de ótimo conteúdo editorial escrito, conta também com atrações em vídeo e áudio.

Não esqueçam de comentar e se possível e gostarem compartilhem em suas mídias sociais. Dúvidas e sugestões para novas entrevistas nos contate pelo nosso e-mail.

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Redação e Revisão (Leandro Garcia e Bianca Velloso)

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About the Author

Gamer Girl, Trophy Hunter, meio estressada quando joga, meio tímida e envergonhada, mas continuo sendo uma pessoa super kawaii (quando são comigo ^^).



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