Entrevista

Published on outubro 8th, 2013 | by Bia_Kawaii

Entrevista com redator e jornalista de games Felipe Demartini

Gamers boa tarde,

Continuamos com nossa série de entrevistas aqui no ReportGamer, por aqui já tivemos o Gusang do canal AssopraFitasGabriel Soto Bello do Baixaki Jogos (BJ)Caio Corraini do Arena e hoje trazemos Felipe Demartini, grande jornalista na área de jogos e um dos maiores conhecedores de Resident Evil em território nacional.

Para quem não conhece, Demartini é jornalista, apaixonado por games e tecnologia. Trabalha com Resident Evil desde 2000 e fez parte das equipes dos sites F.Y.F.R.E. e REVIL. Posteriormente trabalhou para NZN no Tecmundo e BJ. Atualmente cuida na minha humilde opinião do melhor site de Residente Evil do Brasil que é o Resident Evil SAC. Depois desta breve introdução e sem mais delongas, vamos para entrevista abaixo:

1 – RG: Demartini, você é um sinônimo de conhecimento de Resident Evil aqui no Brasil, de onde veio essa paixão pela tão aclamada série de Shinji Mikami?

R: Essa é uma pergunta que me fazem bastante e eu não sei bem indicar exatamente o que me chamou atenção na série. Sou fã desde o primeiro jogo da série, lá em 1996, e a atmosfera dos primeiros jogos, aquela sensação de ameaça e o gerenciamento constante dos itens sempre me cativaram. Acho que tem a ver também com o fato de eu ser fã de filmes de terror desde bem pequeno e ter sentido que, pela primeira vez, eu poderia realmente participar de uma reprodução fiel de um – pelo menos o máximo possível para a época. Tinha 10 anos quando joguei o primeiro game da série e ele, inclusive, me fez “voltar” aos video games. Até jogar o primeiro Resident Evil, nenhum game da então transição do 2D para o 3D tinha me cativado de verdade.

2 – RG: Poderia nos falar sobre sua participação em 2 grandes sites de Resident Evil que são o F.Y.F.R.E. e REVIL?

R: O FYFRE foi uma das primeiras coisas “de verdade” que eu fiz na internet, antes mesmo de pensar nisso como um trabalho para valer ou com ideias mais profissionais. Foi quase como uma escola, onde eu, a Monnie e todos os outros envolvidos aprenderam a lidar com diversidades de coisas como a falta de disponibilidade de internet – era a época da discada, só tínhamos acesso nas madrugadas e finais de semana, atualizações eram esporádicas e o acesso a conteúdo era pouco -, a nossa própria falta de conhecimento para lidar com a criação de sites, os compromissos da vida e a loucura de servidores gratuitos, que eventualmente deletavam ou zoavam todo o site. Foi no FYFRE que eu vi que eu realmente queria escrever sobre jogos e enxerguei aí uma perspectiva de trabalho “de verdade”. Lá, não apenas produzi conteúdo de texto como notícias e detonados, mas também dei os primeiros passos no mundo dos podcasts.

Já no REVIL, a ideia foi aplicar tudo aquilo que eu tinha aprendido de forma mais “profissional”. Correr atrás das coisas mesmo e abordar todo o conteúdo de uma maneira mais séria e focada. O site já existia há algum tempo quando eu entrei, e junto com o restante da equipe, promovemos uma reformulação completa do conteúdo e da linha editorial. Muito do que foi feito lá atrás, em 2008, quando eu entrei, permanece até hoje e o site ainda é uma referência depois de tanto tempo.

3 – RG: Atualmente você está no RE SAC nos fale sobre o site e como está tocando este projeto no momento?

R: O SAC foi meu primeiro projeto realizado quase que completamente sozinho. Depois de sair do REVIL, em 2010, surgiu a vontade de continuar trabalhando com Resident Evil, mas fazer um trabalho um pouco mais autoral e diferenciado. Não existia razão para fazer de novo aquele conteúdo que já existia bastante por aí em português, muito dele de minha autoria. Eu e a Carol Tod, que era minha parceira no site durante toda a criação dele, sempre discutimos muito sobre cultura pop, analisávamos as referências da série e tudo mais. Além disso, fazíamos no REVIL um trabalho de responder dúvidas da galera pelo Twitter, algo que continuei, na época que saí, com um perfil próprio. Desses dois embriões surgiram o Resident Evil SAC, com um foco direcionado em notícias e opinião de um lado, e artigos analíticos ou explicativos de outro.

Com o tempo, a coisa foi mudando um pouco. Algumas colunas que acreditávamos que funcionariam, não deram certo, e outras que não demos importância na época, acabaram se tornando gigantes. Essa era justamente a intenção: criar um espaço mais aberto, onde as pessoas pudessem influenciar nos rumos do site e fomentar discussões boas pela área de comentários. Surgiu uma comunidade de gente bem interessante no SAC e, apesar dos haters e idiotas de sempre, o pessoal sempre soube conversar e me ajudar nessa caminhada. Nesse meio, veio também coisas como o VideoSAC, um projeto de vídeos, e uma série muito forte de textos e dicas para quem quer começar uma coleção. Além disso, o SAC foi convidado para fazer o lançamento oficial de Resident Evil 6 aqui em Curitiba, junto com a Livraria Cultura e a Sony Pictures, um momento que considero como o ápice do meu trabalho com a série.

O site existe desde maio de 2011, mas, infelizmente, está chegando ao final agora em novembro. Uma insatisfação com o público brasileiro fã da série, bem como uma desmotivação forte de minha parte, são os motivos para isso. Já há alguns meses parei a produção de artigos e, mês que vem, encerrarei de vez as atualizações. O site continuará no ar, mas servindo apenas como arquivo. Foi uma parte bem importante da minha vida, me proporcionou muita coisa boa, mas é hora de encerrar esse capítulo e abrir caminho para outras coisas que estão fervilhando em minha cabeça. Quero trabalhar com outras coisas, fora do nicho Resident Evil, e respirar outros ares, depois de mais de doze anos mexendo praticamente só com isso.

4 – RG: Durante bastante tempo você trabalhou na NZN e mais especificamente na parte de games no Baixaki Jogos (BJ), como era a rotina da redação e preparação de matérias de um grande portal deste porte?

R: Fiquei três anos na NZN, sendo que dois deles foram dedicados mais diretamente ao BJ. Lá, a gente responde a um superior, que é o editor do site, e também à gerência geral de conteúdo da empresa. São eles quem decidem as pautas de artigos maiores, quadros e etc., com a gente executando as tarefas de acordo com uma escala de plantões definida. Cada um tem uma tarefa a cada dia da semana e publica um tipo de conteúdo diferente de acordo com o que é pedido. Apesar de ter bastante gente na redação, a coisa por lá era bastante puxada e a gente tinha que se virar em mil para fazer o site rodar direitinho.

5 – RG: Notamos que no Brasil houve um grande aumento de canais do YouTube relacionados a games, você que participou de “lives” pelo BJ, como vê os canais brasileiros deste segmento? Tem algum preferencial?

R: Na verdade, eu enxergo a “comunidade YouTuber” brasileira como uma grande massa de gente igual, com uns e outros fazendo um conteúdo diferenciado e de real qualidade. Temos essa dezena, ou um pouco mais, de gente fazendo conteúdo de verdade, bem trabalhado e focado, enquanto todo o restante apenas tenta repetir esse sucesso. Seja pela falta de preparo técnico, pela ausência de equipamento ou simplesmente pela ausência de talento para trabalhar com isso, sei lá, podem ser inúmeros os motivos. Mas o que se vê é uma multiplicação de vídeos idênticos e sobre os mesmos jogos que acrescentam muito pouco para o todo e, na maioria das vezes, trazem nenhum diferencial. Toda uma galera tentando ganhar alguns poucos centavinhos com isso e gerando conteúdo muito ruim.

No Brasil, sou fã do Nerdplayer e recentemente passei a acompanhar também a insanidade do Mundo Canibal, pela pegada de zoar com tudo e ainda assim produzir coisas bem interessantes. Esporadicamente, vejo também outros como o Level+. Dos gringos, gosto muito do trabalho da Felicia Day e do Ryon no Cooptitude, do Angry Video Game Nerd e sempre conto com a ajuda do PowerPyx na caça por troféus.

6 – RG: Muitos jovens sonham em trabalhar com “jornalismo de games”, você que já tem experiência em vários sites, que dica pode dar para estes que sonham com esta profissão?

R: Uma dica que eu sempre dou para quem quer começar qualquer coisa é “seja diferente”. Isso vai junto com aquilo que eu falei ali em cima: de nada adianta você criar um conteúdo igual ou parecido com aquele que outra pessoa já faz, só que com muito mais sucesso e qualidade que você. As pessoas, mesmo as desocupadas que passam o dia inteiro na internet, têm pouco tempo e muito conteúdo jogado na cara o tempo inteiro. O que vai levar alguém a, em vez de acompanhar um dos grandes ou conhecidos, conhecer seu veículo pequeno e permanecer com você? É aí que entra a questão de quebrar barreiras e buscar fazer algo diferente. Não precisa ser algo extraordinário nem inovador, as vezes uma pegada diferente na abordagem do conteúdo já é suficiente para te diferenciar e fazer com que você deixe de ser mais um na multidão. Mas a ideia é sempre querer fazer mais e estar disposto a encarar muita barra pesada pela frente.

Já para quem quer seguir por uma imprensa de games “mais tradicional”, nos grandes portais e revistas, o caminho é fazer uma graduação em comunicação, de preferência, Jornalismo. Saber escrever é essencial, saber lidar com conteúdo também. O trabalho em um grande portal é bem diferente daquele que você faz todo dia no seu blog, tudo é muito mais complexo. Por isso, uma formação nesse sentido é bastante importante, até para abrir as portas do ramo para você.

7 – RG: Recentemente fizemos um podcast com amigos discutindo se valia a pena ou não investir na geração que está por terminar e chegamos à conclusão que sim, em sua opinião ainda vale este investimento?

R: Se você ainda não tem nenhum console da atual geração, sem dúvida. Tudo, mesmo antigo, ainda será novo. Eu mesmo tenho o PS3 desde 2009 e tem jogos que ainda não consegui jogar. A oferta de títulos ótimos é enorme em qualquer uma das plataformas e você terá muito o que jogar pelos próximos anos. Como o PS4 e o Xbone não terão retrocompatibilidade, a compra de um aparelho dessa geração é bem recomendada.

8 – RG: Na geração atual de console acha que houve um vencedor? Ou todos os consoles se equivalem de alguma maneira?

R: Sinceramente, acho meio bobagem falar de guerra de consoles dessa forma. Para mim, tudo depende dos gostos de cada um e do que a pessoa espera de cada console. Para um, The Last of Us pode ser um game daqueles que vale sozinho a compra do aparelho. Para outro, o negócio mesmo é jogo de tiro e futebol. Portanto, não dá para dizer quem foi o vencedor, a não ser que você leve em contas critérios objetivos como números de vendas ou total de games. De resto, vai de cada um escolher qual plataforma é a melhor para o próprio gosto.

9 – RG: O que espera da Next Gen em relação a jogos e consoles?

R: Acho que a coisa agora cai cada vez mais para o lado do realismo. O salto gráfico será bem menos em relação à geração anterior e à atual, a diferença vai existir no nível de detalhes e elementos na tela ao mesmo tempo. Os recursos conectados também me chamam bastante a atenção, principalmente o uso de tablets na jogatina e a forma como as empresas vão usar a nuvem para transformar a experiência. Na minha opinião, a criatividade vai imperar mais na próxima geração do que nessa, onde o que reinou foram os grandes blockbusters e experiências. Agora que isso já foi feito, é hora de pensar em coisa nova.

10 – RG: O PC é uma grande plataforma para jogos e depois da popularização da Steam se fortaleceu ainda mais, acha que um dia o PC pode “matar” os consoles de mesa?

R: Não, a não ser que o PC se aproxime dos consoles de mesa. Nesse caso, não temos a morte dos consoles de mesa de qualquer maneira. Acho que o que temos em mãos são formas diferentes de se jogar, cada uma com suas peculiaridades e estilo bem diferente. Para mim, que trabalho com computador o dia inteiro, jogar é um momento de relaxar, de me largar no sofá e ficar sossegado. Uma experiência que ainda é do domínio dos video games e que o PC está tentando correr atrás para entregar. Para mim, é a mesma coisa dos portáteis X tablets: todos terão o seu espaço.

11 – RG: O mercado brasileiro de games está aquecido e nunca recebemos tantas localizações e atenção das desenvolvedoras, qual sua opinião sobre o mercado nacional de games atualmente?

R: Ainda tem um longo caminho a seguir, principalmente no que toca a percepção das pessoas. Por mais que o mercado esteja crescendo, os games ainda são vistos como brinquedos e bobagens por quem realmente importa, que são os poderes e os grandes movimentadores da economia. Isso está mudando, mas bem devagar, e essa caminhada é bastante atrapalhada por muita gente que força sua participação na frente de batalha mas prova cada vez mais que só quer se promover usando os jogos como plataforma. E a mídia também não faz muito esforço em mudar, uma vez que os anunciantes e o público geral é, justamente, a fatia que enxerga jogos como bobagens. Eu costumo dizer que as coisas vão começar a tomar forma de verdade quando distribuidoras e fabricantes começarem a anunciar na televisão, no meio do jornal e da novela. Aí sim, acabarão as matérias associando games e violência e começará uma mudança em escala maior, que vai atingir desde a mentalidade das pessoas até os preços dos impostos.

12 – RG: Estamos praticamente a três semanas da realização da BGS 2013 e gostaria de saber qual a sua opinião sobre o evento?

R: Eu nunca fui a BGS e, sinceramente, estou bastante ansioso. É bom ver um evento dessa escala acontecendo no Brasil, e com bastante apoio das publishers. Vamos ver o que nos aguarda nessa edição 2013.

13 – RG: Voltando a um assunto já conversado acima que é Resident Evil, ouço muito “mimimi” e reclamações sobre os RE’s pós Code Veronica. Eu, por exemplo, gosto muito de Resident Evil 4 e Resident Evil 5 é meu preferido junto com o 2. Queria que desse sua opinião sobre este assunto.

R: Eu entendo a necessidade de evolução da série, ao mesmo tempo em que entendo a resistência das pessoas com relação a isso. O Resident Evil de hoje, mesmo se ignorarmos Resident Evil 6, é bem diferente daquele que a gente jogava no PlayStation. Tudo depende do que exatamente atraía a pessoa para a série. Eu, em particular, sempre me liguei bastante na história e nas mecânicas de jogabilidade. Por isso que, por exemplo, considero RE4 um ótimo jogo mas um péssimo Resident Evil, e tenho RE: Revelations como meu preferido. Ali está, na minha visão, o equilíbrio o mais perfeito possível entre a nova mecânica, mais dinâmica, e o terror de antes, sem se esquecer de uma trama instigante e bons personagens. Tem espaço para melhora, mas é um caminho que eu gostaria de ver a série seguindo mais.

14 – Tem um artigo seu que gosto muito no RE SAC intitulado “O que podemos aprender com The Last of Us” onde você escreve com muita clareza o que Resident Evil poderá aprender com este grande survival horror da Naughty Dog. Em sua opinião, RE 7 o gênero mais ação deverá ser mantido ou voltaremos as raízes?

R: Esse também é um dos artigos que eu mais gostei de escrever, sobre um jogo que acabou se tornando um de meus preferidos. Sobre RE7, a Capcom já falou em um possível retorno ao terror. Mas, sinceramente, eu não esperaria nada como o antigo RE. A série cresceu, abraçou todo um novo tipo de público e um jogo como os antigos não funciona mais hoje em dia, com o perfil atual de jogadores nas plataformas. Uma jogabilidade travada afastaria muita gente, e nenhuma saga vive só de fãs. A Capcom quer vender, quer ganhar influência e essa é uma equação difícil de ser acertada, algo que ela aprendeu a duras penas com RE6.

Muita gente falou sobre The Last of Us ser o Survival Horror que todos nós queremos, mas isso não é bem verdade. Analisando o jogo, dá para perceber várias diferenças que o diferenciam bastante de Resident Evil. Eu exemplifiquei isso no artigo. O que fica de lição, de verdade, é o cuidado com o jogo. E esse é o fator que eu mais sinto falta nos Resident Evil da atualidade, mesmo o Revelations: nem tudo tem uma razão de ser, algumas coisas estão ali simplesmente jogadas. Não era assim antes, e isso é algo que ainda é plenamente possível de ser realizado.

15 – RG: Para encerrar deixe uma mensagem para galera do site!

R: Obrigado Leandro pela oportunidade de falar bobagens por aqui. Qualquer coisa, estou à disposição pelo Twitter, no @demartinifelipe. Abraço a todos 😉

Para você que gostou da entrevista deixe seu comentário se possível e se gostou do material, divulgue e compartilhe em suas mídias sociais. Além disso não deixe de acompanhar o Demartini em seu twitter já citado acima na última pergunta.

[  ]’s

Por: Leandro Garcia / Revisão: Bianca Velloso

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About the Author

Gamer Girl, Trophy Hunter, meio estressada quando joga, meio tímida e envergonhada, mas continuo sendo uma pessoa super kawaii (quando são comigo ^^).



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