Entrevista

Published on outubro 2nd, 2013 | by Leandro Garcia

Entrevista com Gabriel Soto Bello do Baixaki Jogos

Gamers boa tarde,

Continuando nossa série de entrevistas com o pessoal de importância no mercado nacional de games, desta vez trazemos Gabriel Soto Bello apresentador e video host do Baixaki Jogos (BJ). Sem mais delongas, vamos a entrevista completa e quem puder comentar e nos ajudar agradecemos bastante, e como fala o próprio Gabriel: “let’s bora”!

Antes de começarmos a entrevista, fale um pouco de você, de sua carreira e a paixão gamer, tanto pessoal como profissional.

Gabriel: Bem, comecei a trabalhar com games praticamente desde meu primeiro emprego. Era balconista de uma dessas Lan Houses aqui de Curitiba e, como gamer nato, sempre tive muita familiaridade com o tema, o que fazia de todo o trabalho algo muito mais interessante. A relação direta com os clientes da loja também despertou meu lado sociável, que acabou se tornando essencial mais pra frente em minha vida.

Depois de 3 anos, parti para outra pegada, agora com jornalismo de games, quando fui indicado para uma vaga no Baixaki Jogos. Trabalhei como redator por 5 anos lá, até sair por um breve período em 2012. No mesmo ano, retornei, mas como apresentador, cargo que ocupo atualmente e onde cuido de quadros como o Checkpoint e os Gameplays, além de várias outras propostas.

Junto com a minha paixão por games, também sempre mantive uma paixão por e-sports. Já fui jogador profissional de Counter-Strike 1.6 e sempre estive atento à cena, sedento para melhorar algo de imenso potencial. Já no Baixaki Jogos, cobri alguns eventos e em um deles conheci meu parceiro Giovane Lurezonski, que, posteriormente, se tornaria minha dupla na criação do Treta Championship, o maior evento de jogos de luta da América Latina.

O Treta Championship começou como um campeonato pequeno, quase local, mas já em sua segunda edição atingiu proporções nacionais. No terceiro evento, conseguimos realizar um espetáculo no Museu Oscar Niemeyer, reunindo mais de 400 jogadores, incluindo gamers de Taiwan, EUA e Japão. Na nossa mais recente edição, tivemos mais de 600 jogadores e chegamos a marca de mais de 8 mil espectadores simultâneos em nossa transmissão ao vivo. A ideia é continuar e ajudar cada vez mais essa cena que tenho tanto orgulho de fazer parte.

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Introdução feita, agora vamos para perguntas selecionadas pelos nossos redatores sobre vários assuntos relacionados ao mundo dos games.

1 – ReportGamer: Gabriel recebemos muitos e-mails e comentários de jovens que querem trabalhar com games, seja com gameplay ou em redações de grandes portais, qual conselho você dá para esta galera que tem essa pretensão profissional?

Resposta: Trabalhar com games é um sonho compartilhado por cada vez mais jovens hoje em dia, afinal, fazer o que gosta é o que chamam de “zerar a vida”, não é mesmo? Mas pra zerar isso aí, a gente tem que se esforçar bastante. Meu conselho é adquirir experiência e produzir. Produza textos, escreva bastante, para blogs, em seu Facebook, seu Twitter em tudo o que puder. Faça seu nome ter relevância para que, um dia, quando pintar uma oportunidade em um portal grande ou num site bacana, você possa mostrar tudo o que já fez, mostrar que manja dos paranauês. Esse pode ser o diferencial decisivo na hora da escolha. E o de sempre, né: seja curioso, respire os jogos e também respire muito da vida social real. É muito importante levar sua bagagem cultural pra um texto ou pra um gameplay e é isso que também conta como um grande diferencial. Dizer pra estudar muito acho que é igual dizer que cogumelo do Mario te faz crescer, né? Então já sabe!

2 – RG: Você trabalha no Baixaki Jogos (BJ) um dos melhores e maiores sites de games do Brasil, como é o dia a dia da redação, as matérias, reviews, gameplays e tudo que envolve este trabalho em geral?

R.: A redação lá no BJ tem um clima extremamente bacana. Muitos amigos que hoje carrego comigo no peito eu conheci lá. O clima da empresa também propicia isso, né. Mas, ao contrário do que a grande maioria pensa, trampar com games não é nada mole não. Temos prazos, imprevistos e muita, mas muita correria. O setor de vídeo não para um minuto e muitas vezes a gente acaba cobrando escanteio e cabeceando pra entregar tudo na hora e com o máximo de qualidade (sou quase um Allejo). O BJ visa sempre a qualidade e também o imediatismo, por isso a gente sua tanto pra trazer o conteúdo pra galera, desde a parte dos redatores até a galera do vídeo. Todo mundo tem que estar em muita sintonia!

3 – RG: Como o BJ esteve presente na E3 deste ano e você foi um dos que lá esteve, como a imprensa brasileira de games é vista pela imprensa internacional segmentada?

R.: Olha, confesso que me assustei com o tanto de brasileiros que encontrei lá na E3! Lembro que quando testava a demo de Dark Souls 2, vi uma galera gritando em português enquanto torcia pra que eu matasse o boss (o que não rolou, é claro). No geral, a imprensa é bem reconhecida, afinal, somos um dos mercados em maior ascensão no mundo todo, então todas as produtoras sabem que têm de passar uma boa imagem para nós. Muitos estandes inclusive contavam com representantes de nosso país, o que facilitava tudo e deixava o clima ainda mais agradável. É claro que nem tudo são flores e confesso que senti vergonha quando uma representante da Nintendo veio me falar que alguns brasileiros estavam ignorando Pikmin por ser um “jogo de boiola”. 

4 – RG: Fizemos um podcast recentemente com amigos sobre se ainda valia a pena investir na atual geração ou não no caso de adquirir um novo console e chegamos à conclusão que sim. Em sua opinião, ainda vale este investimento?

R.: Ah, essa eterna dúvida! Bem, os consoles atuais estão mais acessíveis, assim como os jogos. E o melhor de tudo é que, se você ainda não teve um console da atual geração, você vai ter uma infinidade de jogos excelentes para serem jogados e muitos com um descontasso. Meu PS3 queimou recentemente e fiquei nessa dúvida, aí vi The Last of Us e GTA V chegando e acabei comprando outro. Não me arrependo, principalmente porque também aproveitei pra pegar umas velharias que estavam encostadas. Enfim, acho que vale a pena pegar um console atual sim, ainda mais porque o preço da próxima geração chega lá em cima.

5 – RG: Com a proximidade do fim da atual geração em sua opinião houve um vitorioso?

R.: Eu digo sem sombra de dúvidas que os grandes vitoriosos fomos nós, jogadores. Essa geração foi sensacional, sério mesmo. Tivemos toda a casualidade do Nintendo Wii, que revitalizou a indústria e trouxe uma nova visão ao mercado e, mesmo assim, ainda é um console muito subestimado, principalmente pela galera hardcore. Na briga direta do PS3 e do X360, também fomos surpreendidos. Os caras fizeram milagre, sério, eu chorei vendo jogos como The Last of Us e Alan Wake. É bizarro como conseguiram extrair tanto dessas plataformas, trazendo jogos de extrema qualidade. Não sei se consigo pontuar um dos três como um grande vencedor, mas digo que eu me sinto muito vitorioso por tudo isso.

6 – RG: Agora sobre a “Next Gen” e a disputa entre Microsoft, Sony e a Nintendo que corre mais por fora, qual sua expectativa para os novos consoles?

R.: As minhas expectativas, como sempre, são as melhores possíveis. Eu sou chato de tão otimista, então se segurem. Acho que a Sony vai chegar destruindo em vendas e principalmente com o público hardcore. Muita gente vai migrar do PS3/X360 direto pro PS4, que parece ser a grande máquina da próxima geração. Mesmo assim, a Microsoft manja e não vai ficar atrás não. Vai mostrar mais uma vez que não é só de motor que se faz um belo carro, principalmente com toda a grana e estratégia que os caras têm por trás do One. Acredito muito nos serviços do console, principalmente lá fora, onde isso já bomba com o 360. A Nintendo tem Pokémon, Mario, Donkey Kong, Zelda, Metroid e todos seus first party na manga. Não tem erro, sempre foi e sempre será um tiro certeiro. Gosto muito da Big N e, como já disse, a galera não dá o valor que ela merece. Falam que o Wii U não é um console bom e torcem pro fracasso do aparelho. Acho isso ridículo e totalmente oposto aos princípios de alguém que desfruta tanto dessa indústria. Aqui, se alguém perder, a gente perde também. E ficar sem a Nintendo não rola. 

7 – RG: Acho o PC uma plataforma fantástica e que ficou muito forte com a grande popularização da Steam, você acredita que algum dia os PC’s possam “matar” os consoles de vez?

R.: Vivo dizendo que os PCs são a plataforma de quem mais sofre, já que é muito fácil e barato comprar tudo, ainda mais com as promoções no Steam, mas a gente precisaria morar na Sala do Templo do Kami-Sama pra conseguir jogar tudo. A Valve revolucionou o mercado dos PCs e ouso dizer que até salvou os PC Gamers. Hoje, eu não diria que os PCs matariam os consoles, já que o custo benefício de um console ainda é mais seguro, assim como a lista de exclusivos que jamais aterrissariam numa máquina. Mas, a Valve já mudou o mundo dentro dos PCs e agora também tão arriscando fora dele, com as Steam Machines, o Steam OS e o Steam Controller. Então vou sentar e torcer pra que eles pelo menos ganhem mais espaço na indústria.

8 – RG: O BJ possui com você e Mariana ao seu lado gameplays diários, como é definida a pauta de seleção dos jogos? E a interação com a galera da “Resistência BJ”, conte-nos sobre ela?

R.: Os jogos dos gameplays são selecionados de acordo com a época, já que optamos sempre pelos títulos que são lançamentos. Volta e meia, também pego games sugeridos pela fanpage da Resistência BJ, o grupo fiel do Baixaki Jogos que foi cunhado por mim mesmo, mas já tomou proporções extraordinárias e tem sua própria comunidade, o que acho sensacional. Também rolam os especiais e as Zeratinas, quando jogamos um game do início ao fim. Normalmente, eu mesmo sugiro os títulos e a coordenação bate o martelo.

9 – RG: Temos muitos canais de gameplays no YouTube, você que já tem experiência, alguma dica para quem está começando um canal agora?

R.: Cara, ganhar espaço no YouTube hoje é algo bem complicado. O espaço tá bem saturado de gamers de todo tipo e atirando pra todos os lados. A minha sugestão é tentar ser você mesmo, não encarnar nenhum personagem (a não ser que essa seja a proposta) e sempre tentar ser o mais profissional possível, buscando sempre trazer qualidade tanto nas gravações, quanto no conteúdo e na apresentação – bom humor é essencial. Pegue uma placa de captura boa e não se afobe. É complicado ganhar espaço aí, mas pode ficar muito mais fácil se você ser você mesmo e não tiver que se enganar toda vez que for gravar um vídeo. Tente optar por conteúdos diferentes e seja muito atencioso com a galera que o acompanha. Busque sempre melhorar e avalie toda crítica.

10 – RG: Gostaria que você falasse sobre o Treta Championship, o que é e qual sua participação neste grande evento?

R.: O Treta Championship é um projeto que tenho ao lado do meu grande irmão Giovane Lurezonski desde 2010. Começamos como um campeonato pequeno de jogos de luta e tomamos uma proporção absurda. Já realizamos torneios no Museu Oscar Niemeyer e hoje somos o maior torneio de jogos de luta da América Latina. Na última edição, tivemos mais de 600 jogadores do Brasil e do mundo todo, incluindo lendas do Japão e do Reino Unido. Fomos também selecionados para representar o Brasil no campeonato mundial oficial da Capcom e o nosso primeiro lugar levou uma viagem tudo pago para o evento em São Francisco. Como já fui jogador profissional de Counter-Strike 1.6 (mesmo sempre sendo noob), tenho muito afeto pela parte e-sports dos games e luto muito pela cena.

11 – RG: Qual sua expectativa para BGS 2013 e como vê o crescimento do mercado nacional de games?

R.: Essa é a minha primeira visita à BGS e, como comentei antes, o mercado brasileiro está muito bem na fita lá fora. Então, as expectativas são as melhores possíveis. Sei que as grandes empresas trarão o que há de melhor para nós e que também tratarão o público com muito carinho. Espero que a galera compareça em peso e represente os números impressionantes que são registrados nas pesquisas de mercado. Sei que podemos muito mais e definitivamente estamos no caminho para isso. A BGS é sem dúvidas o melhor espaço para mostrarmos nossa força.

12 – RG: Deixe um recado para a galera gamer que gosta do seu trabalho no BJ!

R.: Só tenho a agradecer do fundo do meu coração pelo carinho de cada um de vocês! Muita gente me agradece por eu fazer o que faço, mas essa recepção de vocês é o que me faz agradecer todos os dias por estar onde estou. E let’s bora porque ainda quero jogar muito com vocês! Valeu!

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Por : Leandro Garcia / Revisado por: Bianca Velloso

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Um gamer clássico que adora postar notícias e comentar com seu mundinho gamístico com todos!!!



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